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Cão-guia para Cegos: como ter o seu e leis

Olá, pessoal, bem vindos ao 9º Programa do nosso podcast! Nesse episódio nós conversamos com o Felipe Cristiano, que é usuário de cão-guia para cegos. Ele nos conta como é ter um cão-guia e detalhes sobre a experiência, treinamento e leis para cão-guia. Ela tem a Bella, uma linda golden retriever de 3 anos e 8 meses de idade, um cão muito ativo, brincalhão e que é o 2º cão do Felipe! Dá play aí embaixo e vem ouvir com a gente!

 O que é cão-guia?

É uma tecnologia assistiva para o deficiente visual (ou uma ferramenta assistiva), assim como a bengala, para o cego. Esse cão é treinado em escolas próprias para formar cães que têm vocação para ser cachorro guia; A Bella é um exemplo, uma golden cheia de energia, que adora brincar, mas que entende seu momento de trabalho e seu momento de lazer.

Cão-guia para cegos: Lei!

A Lei 11.126 e o Decreto 5.904 que diz que o cão que trabalha como guia para cegos acompanhado do deficiente visual, do treinador ou da família socializadora tem o direito de entrar e permanecer em ambientes públicos ou privados, desde que observando as questões da lei. Isso inclui:

  • O uso do arreio para guiar.
  • A coleira de identificação.
  • E o usuário de cão-guia precisa estar com sua carteirinha com foto e dados de identificação da pessoa e do cão.

Todo estabelecimento tem o dever de aceitar um cachorro que está trabalhando como guia. Mas tem o direito de pedir a apresentação dos documentos do cão e é obrigação do usuário (e da família socializadora durante o processo de socialização do cachorro) portar sempre sua carteirinha.

Eles podem entrar em qualquer lugar?

E se você já se perguntou se o cão-guia pode entrar em qualquer lugar, saiba que não todos, mas quase todos! A lei os ampara para quase todas as entradas e permanências, menos ambientes de manipulação de alimentos e ambientes esterilizados, ou seja cozinhas e UTI’s, por exemplo.

Desse modo, um cão precisa ser recebido em praticamente qualquer lugar: shopping, restaurantes, hospitais, teatros, uber e táxi, transporte público e isso inclui avião. Aliás, o Felipe nos contou alguns casos bem interessante de ambientes e meios de transporte que negaram receber o cão dele e vale a pena ouvir no podcast! 🙂

Qual a raça do cão-guia?

É normal vermos cães guia da raça golden retriever ou labrador no Brasil. Mas já parou para pensar qual a ração ideal? Segundo o Felipe, no geral qualquer cachorro de porte médio a grande pode ser cão-guia.

Isso porque o cachorro “nasce” cão-guia, ele tem uma predisposição a ser, como uma “vocação”. Então, embora todo cão possa ser, nem todos os cães querem ser um cão-guia, independente da raça. E como todo trabalho com cães, nenhum animal é forçado a ser trabalhar. Ele precisa querer e sentir bem com o trabalho, (assim como falamos sobre o cão terapeuta, NESSE PODCAST, lembra?).

Segundo o Felipe, a cada 100 cães que entram no processo de preparação apenas 30 são formados e entregue. Os outros acabam saindo do processo por apresentar algum sinal de que ele não quer ser cão-guia.

Cão-guia, como conseguir?

Uma dúvida comum é sobre quem pode ter um cão-guia, como conseguir, se é pago, etc. O Felipe nos explicou que para ser orientado por um cão, é preciso que a pessoa tenha o princípio básico de orientação e mobilidade. Ou seja, saber se locomover no ambiente sem precisar de ajuda de outras pessoas.

Num geral, o cão-guia é entregue para pessoas com visão subnormal ou cegueira. No caso do Felipe, no seu 1º cão, o Thor, ele era importante para mobilidade noturna. Isso porque durante o dia o Felipe tinha percepção de luminosidade o que o ajudava a se locomover. Agora com a Bella, a necessidade é integral.

Onde encontrar esses cães?

No Brasil existem menos de 200 cães guias, sendo que a maioria está em São Paulo. O número é BEM baixo se pensarmos que, segundo o Senso do IBGE de 2010, há cerca de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual no país. Por isso é tão raro ver um cão-guia na rua.

Agora se você quer saber onde encontrar um cão-guia para um cego, é importante procurar instituições sérias e existem algumas no Brasil. O Felipe nos deu uma dica incrível: Um cão-guia NUNCA é vendido! Então se a instituição for séria, ela nunca vai te cobrar por esse cão e você vai passar por um processo para que se entenda a sua necessidade e perfil. Depois você entra numa fila de espera para receber um cão que seja apropriado para o seu perfil.

O Felipe conseguiu seus cães por um projeto do Governo Federal, pelo Instituto Federal Catarinense, Campus Camboriú. Mas há outras escolas sérias como:

  • Instituto Íris,a Escola Magnus.
  • O Cão-Guia Brasil.
  • Corpo de Bombeiros de Brasília.
  • Instituto Federal de Goiânia e o do Espírito Santo.
  • Além da escola Helen Keller.

Como treinar cão-guia?

Perguntamos para o Felipe sobre treinamento de cão-guia. Afinam afinal é interessante pensar como funciona um cão-guia e a resposta dele foi muito interessante!

“Quando um filhote nasce, ele passa por um processo que nós chamamos de socialização. Uma família voluntária pega a tutela desse filhote e ela tem a missão de apresentar o mundo para o cão. Então ela vai levar ele para o shopping, para a lanchonete, para passear em avenidas, hospital, enfim. Quanto mais dinâmicos forem os lugares, quanto mais bacana for esse processo de socialização, a chance de o cão estranhar qualquer ambiente enquanto estiver trabalhando ou quando ele começar o período de treinamento efetivamente para guia, é muito menor. Isso porque todo ambiente para ele vai ser natural.” – Felipe Cristiano

Após o período de 1 ano e meio de socialização, ele recebe um treinamento específico para guiar. Durante todo o processo o cão é observado para identificar se ele gosta, se ele quer fazer aquilo. Em caso negativo ele é descontinuado do treinamento e colocado para adoção. Mas se o cão gosta de guiar, ele aprende todo o trabalho durante o processo e é encontrado um deficiente na lista de espera por um cão que tenha a ver com aquele cachorro em específico, pois quem precisa se adequar ao cão é o ser humano e nunca ao contrário.

O Felipe nos contou que no caso da Bella, que é um cachorro muito agitado e cheia de energia, ela precisava de alguém com uma rotina movimentada como a do Felipe, ela não poderia ser dupla de alguém sedentário, pois ela precisa gastar energia Além disso, é avaliado outros fatores, como altura, passada, etc.

Tempo de treinamento no Brasil

No Brasil, o processo de socialização e treinamento leva 2 anos. Depois há mais um período de 30 dias para adaptação entre o cão e o cego no ambiente de treinamento e depois mais 10 dias no seu local/ambiente. Após graduado e entregue para o deficiente, ele pode trabalhar até 8 anos e aí será aposentado. Ao se aposentar, ele é colocado para adoção e a preferência de adoção é da família do deficiente. Se a família não o quiser, ele volta para a escola que fica encarregada de encontrar uma família que o adote.

Como identificar um cão-guia?

Todo cão em trabalho estará com um arreio nas costas que é a guia dele. Esta é a forma de ele estar em conduta com o deficiente e como podemos identificá-lo também. Então é importante ter a consciência de que nunca se deve chamar a atenção, aproximar ou fazer carinho em um cão que está guiando alguém. Isso porque ao dar carinho você está tirando o foco e a atenção do cão e isso pode gerar acidentes.

Além disso, você faz com que o cão “entenda” que ele pode receber aquele carinho mesmo sem fazer o trabalho dele e isso pode ser perigoso também. Afinal, ele recebe carinho para guiar e quando entregamos essa recompensa sem o trabalho realizado, há uma confusão para o cão. Portanto NUNCA INTERAJA COM UM CÃO EM TRABALHO DE GUIA! 🙂

E você já teve contato com um Cão-Guia? Conta pra gente nos comentários!

Esperamos que você tenha gostado do programa! Beijos do Mardem,da Fran e do Felipe, e lambeijos do Sam, Nutella e Jotapeg e da Bella!

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1 Comentário

  • Resposta Mariana Bezerra

    Melhor amigo do homem é o cão, companheiro e fiel, não vivo sem ele.
    Fico muito triste e arrasada quando vejo tantos abandonos ,maus tratos,covardia ,donos que não estão nem aí pro seus cães

    08/05/2019 a 5:16 pm
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