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Cachorro sente culpa? Com o pessoal do podcast – Meu nome não é não | Sobre Cães #22

cachorro sente culpa

Bem-vindo ao 22º episódio do nosso podcast, Sobre Cães! Desta vez convidamos o pessoal do podcast “Meu nome não é não” para explicar se os nossos cachorrinhos sentem culpa ou não. Dá o play aí:

Meu cachorro sente culpa? Não!

O primeiro podcast do pessoal do “Meu nome não é não” foi sobre um livro da Turid Rugaas, chamado “A linguagem dos cães: os sinais de calma”.

Elas resolveram abordar esse assunto porque existem muitos enganos quando se trata de comunicação canina. Nós, seres humanos, conseguimos perceber e até mesmo entender  alguns sinais dos cães, mas nem todos. Muitos aspectos da linguagem canina ainda são muito confundidos, inclusive a culpa. E isso acontece porque nós temos o costume de antropomorfizar muito os cães.

Existe alguma linguagem entre os cães e os seres humanos? Sim!

Os cães se expressam de uma maneira totalmente diferente da nossa. Para se ter ideia, nosso mundo é muito visual, mas o mundo dos cães é muito olfativo.

Dante Camacho, que trabalha exclusivamente com adestramento positivo, fala muito sobre o “cachorrês”. Os cachorros possuem uma linguagem própria, um idioma completamente diferente do idioma humano.

Alguns sinais são muito claros. Por exemplo, todo mundo consegue perceber quando os cães estão agindo de maneira agressiva, porque eles rosnam e latem com agressividade. Todo mundo também consegue perceber quando eles estão com medo, porque eles enfiam o rabo entre as pernas e tomam uma postura mais defensiva.

Os sinais de desconforto dos cães

Em seu livro, a Turid Rugaas falou sobre os 32 sinais que demonstram o desconforto dos cães. Antes de qualquer tipo de reação, os cães expressam uma série de sinais que nem sempre são bem interpretados. Quer alguns exemplos?

Exemplo #1: sobre o ato de lamber o focinho

Muitas pessoas acham que os cães lambem o focinho quando estão com fome, mas essa ação normalmente quer dizer que eles estão desconfortáveis com alguma situação e precisam de um tempo para saber lidar com aquilo.

Quando você abraça ou aperta o seu pet e ele lambe o nariz, normalmente você acredita que aquilo foi uma demonstração de carinho da parte dele. Porém, na natureza, quem abraça ou aperta a presa é o predador. Portanto, faz parte da natureza do seu pet se sentir desconfortável com aquilo. Com o tempo ele acaba se acostumando e percebendo que você está demonstrando afeto.

Exemplo #2: sobre o ato de virar de barriga para cima

Em algumas situações, quando os cães viram de barriga para cima, eles estão no ápice do desconforto, porque essa é a posição mais vulnerável deles.

Basicamente eles estão dizendo que estão com muito medo e “se renderam” àquela situação. Com o tempo você vai condicionando o seu pet a virar de barriga para cima em troca de carinho, mas não é assim logo no começo.

Exemplo #3: sobre o ato de abanar o rabo

Acredite, nem sempre significa alegria ou euforia. Você precisa observar muito bem o contexto em que o seu pet está antes de interpretar esse sinal.

Antes de atacar outro cachorro, por exemplo, o cão abana o rabo freneticamente, mas ele toma uma postura defensiva, eriça os pelos e fica muito atento à “sua vítima”. Agora, quando o seu pet abana o rabo e abaixa as patas da frente, em posição de playball, é sinal de que ele quer brincar com o outro cachorro.

Quais raças se comunicam melhor?

O ser humano interferiu muito na comunicação canina fazendo a seleção por raças. Algumas raças têm muita dificuldade para expressar sinais e outras têm muita facilidade. John Bradshaw, autor do livro “Cão Senso”, fez uma pesquisa exatamente sobre essas diferenças entre as raças.

Cães mais parecidos com lobos, que mexem as orelhas, têm caudas longas e focinhos mais alongados, têm uma comunicação melhor, porque seus sinais são mais expressivos e, por isso, mais claros.

Algumas raças, como os pugs e os bulldogs, não mexem bem as orelhas, possuem o rabo mais curto e quase não têm pescoço. Por isso, seus sinais são mais sutis e menos claros, sendo piores para comunicação.

A título de curiosidade, o cachorro com menor capacidade de comunicação é o Cavalier King Charles Spaniel.

Agora que nós entendemos mais sobre a linguagem e a comunicação dos cães, vamos para algumas dúvidas?

Os cães conseguem aprender sinais?

Nós, seres humanos, conseguimos reproduzir alguns sinais dos cães e transmitir alguma mensagem, mas nunca seremos proficientes na linguagem canina. Da mesma forma, é muito difícil para os cães aprenderem alguma coisa sobre a nossa linguagem.

É muito importante que os cães desenvolvam a linguagem canina com seus irmãos e com seus pais. Por isso, eles não podem se distanciar muito cedo da ninhada. Estudos falam que os cães precisam ficar, pelo menos, 60 dias com os irmãos e com a mãe e, se possível, com o pai também.

Se os cães se afastam muito cedo da ninhada e não aprendem a linguagem canina como deveriam, ao se encontrarem com outros cães eles não conseguem se expressar nem interpretar os sinais que os outros estão transmitindo, e isso pode gerar conflitos.

Os cães se arrependem? Eles sentem culpa?

A culpa é um sentimento relacionado a memórias aprendidas e a conceitos éticos e culturais que os cães não possuem. Nenhum animal que conhecemos têm conceitos éticos tão fundados quanto os seres humanos.

A Vanessa Woods e o Brian Hare, autores do livro “Seu cão é um gênio”, falam que não é possível colocar nomes de emoções humanas tão subjetivas nas reações caninas, porque eles estão ligados a formas mais simples de emoção.

Um aspecto que reforça a teoria de que os cães não sentem culpa é que a sua memória de longo prazo está muito relacionada às emoções, mas a memória das ações dos cães dura entre 2 a 5 minutos.

A memória relacionada à emoção é aprendida e armazenada, como quando você pega uma coleira e ele se lembra da alegria de passear.

Agora, quando você sai de casa e o seu pet faz alguma arte, ele não vai se lembrar do que ele fez quando você chegar, dali algumas horas. Se você chega e dá uma bronca, ele associa a sua chegada com um sentimento ruim de medo. Por isso, ele foge ou emite outros sinais de desconforto.

Quando você chega em casa e seu cachorro vira de barriga para cima e faz xixi, por exemplo, pode ser um sinal claro de medo. Conselho: não puna seu pet quando chegar em casa, tente educá-lo de outras formas, ele não vai nem se lembrar do motivo da bronca.

Em um estudo, Alexandra Horowitz, uma estudiosa da vida canina, coloca um cachorro, que é treinado a não pegar petiscos sobre a mesa, em uma sala. Seu dono entra, deixa um petisco e avisa que ele não pode pegar. Em alguns casos o cachorro pega, mas em outros a pessoa que está filmando pega o petisco na mesa. O dono, quando volta, sem saber quem pegou, dá sempre uma bronca no cachorro.

O pet, sentindo aquele sentimento de nervosismo do dono, expressa todos os sinais de desconforto que comentamos aqui, mesmo não sendo o real culpado daquela situação. Ou seja, esses sinais que ele emite não são sinais de culpa.

Os cães leem nossas microexpressões faciais?

Alexandra Horowitz, tem uma fala muito interessante: ela diz que os cães são os antropólogos dos humanos, porque eles são muito observadores.

Em outro estudo ela coloca um cão em uma sala olhando para a foto de uma pessoa sorrindo, mas com o áudio de uma voz triste. O cachorro demora muito mais tempo para entender esses dois sinais despareados do que quando ele observa sinais pareados, como uma foto de uma pessoa sorrindo com um áudio de uma voz alegre.

 

Então, é isso! Esperamos que você tenha gostado e aprendido muito. Ouça o podcast dos nossos convidados, “Meu nome não é não”. Lá você encontra várias outras dicas legais sobre cachorrinhos.

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Então, é isso! Um grande abraço e até o próximo!

 

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